A participação de Pedro Couceiro e Manuel Gião no Campeonato GT Open


Pedro Couceiro ao volante do Ferrari F430 GT na 1ª prova do Campeonato GT Open 2008 em Vallelunga
 ( Foto: PNC, Produções Desportivas)


De Casimiro de Oliveira a Vasco Sameiro, passando por António Borges Barreto, Horácio Macedo, António Peixinho, Fernando de Mascarenhas e alguns outros, se foi formando um pequeno mas valoroso grupo de pilotos nacionais, que desde os finais dos anos quarenta tiveram o privilégio de pilotar automóveis Ferrari, em competições nacionais e internacionais. Depois de um interregno, em que nos últimos anos tem sido quase inexistente (ou mesmo inexistente em determinados períodos) a participação de pilotos portugueses ao volante de automóveis Ferrari, em provas nacionais e internacionais, explicável de variadíssimas formas, eis que de novo temos a emoção de podermos apreciar o virtuosismo dos pilotos nacionais pilotando automóveis de Maranello em provas internacionais e em condições de lutar pelos 1ºs lugares.
Pedro Couceiro e Manuel Gião, dois dos mais conceituados e respeitados pilotos portugueses, com carreiras multifacetadas, e que nos últimos anos se tem dedicado, com o sucesso que todos conhecemos às corridas de GT’s, participam no Campeonato Internacional GT Open 2008 ao volante de um competitivo (provavelmente o melhor GT2 do momento) Ferrari F430 GT. Logo na 1ª prova, em Vallelunga, um 2º e um 4º lugar em cada uma das corridas, vieram augurar aquilo que todos esperamos, um campeonato a lutar pelos 1ºs lugares, mas mais do que isso, aumentar por direito próprio o grupo restrito de pilotos nacionais que pilotaram automóveis do Cavallino Rampante ao mais alto nível.
Casimiro de Oliveira, em 1952, teve a honra de receber das mãos de Enzo Ferrari, uma medalha de ouro pelas vitórias conseguidas ao volante de automóveis de Maranello, nos dias de hoje estamos cá nós, os apaixonados pela Ferrari, a felicitar e a vibrar com os feitos e as vitórias destes pilotos, que nos enchem de orgulho e fazem perpetuar na história uma tradição que desejamos se mantenha viva por muitos anos.
Abaixo um texto que Pedro Couceiro escreveu para este blog, a quem agradeço reconhecidamente.


Depois de 25 anos de competição, desde o Karting aos GT’s passando pelos diversos escalões dos monolugares (F.Ford , F.Opel, F.3 ou F.3000), houve um momento que me voltou a colocar a adrenalina nos mais altos patamares e que dificilmente esquecerei.
Esse momento foi a última prova do Open Europeu de 2006, disputada em Barcelona, e onde pela primeira vez me sentei ao volante de um Ferrari de competição.
Após quase 9 temporadas “agarrado” a um volante Porsche, acreditem que é um momento emocionante quanto, já sozinhos a acelerar na pista, vemos o “Cavallino Rampante” bem ali á nossa frente estampado no volante de competição.
Como qualquer outro piloto com tantos anos de actividade, já guiei para variadíssimas marcas, com variadíssimos modelos á mistura, muitos deles inclusive com uma história na competição automóvel de causar respeito a qualquer membro da minha comunidade!
No entanto Ferrari é Ferrari….
Um mundo aparte e onde todo o misticismo da marca de Maranello se faz sentir carregar forte sobre os pilotos.
Quando me desloquei a Barcelona para experimentar em prova o Ferrari 360 Modena GT2, fi-lo com o intuito de preparar o meu ingresso numa equipa Ferrari para que em 2007 pudesse, em conjunto com o Manuel Gião, lutar pelo título GT Espanhol e Ibérico.
Na realidade o carro que viemos a conduzir foi o F430 GT2, bem mais evoluído e que tantas alegrias nos tem dado, não só nos resultados como no puro prazer de condução.
O F430 é um “Puro Sangue” nascido para competir, fiel ao seu dono e muito fidedigno nas suas reacções.
A equipa que este ano represento, a Playteam, é uma Scuderia Ferrari no seu todo e onde o amor à marca se faz sentir desde o nosso primeiro “briefing”.
É essa paixão, também, que faz com os resultados apareçam e que o maior dos obstáculos possa ser ultrapassado.
É fantástico descobrir essa paixão, e eu tive o privilégio de a descobrir durante a minha carreira desportiva, algo que marca qualquer piloto para toda a sua vida.

Pedro Couceiro
 
A dupla portuguesa incluída na equipa Playteam foi fundamental no sucesso desta no Campeonato Internacional GT Open, oferecendo ao Ferrari 430 GT o 3º título possível nas três mais importantes competições de GT's na Europa em 2008. Fia GT, Le Mans Series e GT Open foram ganhos pelo fabuloso GT de Maranello.
Mais notável foi este título no GT Open pois foi conseguido por uma equipa privada, tendo como adversária uma das equipas com apoio oficial da Porsche - a AutoOrlando, que contou nas suas fileiras com um dos pilotos oficiais da marca alemã, Richard Leitz. Os nossos parabéns ao Pedro Couceiro e ao Manuel Gião.
No texto abaixo, feito para este blog, Pedro Couceiro faz um resumo deste campeonato.


É com muito gosto que vos deixo aqui estas linhas, “terminus” deste nosso ano Europeu de ligação ao GT Open Internacional.
Por muitos tido como o mais disputado campeonato de GT do momento, o GT Open tem vindo a ganhar uma grande reputação entre as melhores equipas do meio e, por conseguinte, traz até si alguns dos melhores pilotos da especialidade a nível internacional.
Após um primeiro ano em conjunto (2007) em que pretendemos iniciar a nossa participação em equipa com um grande resultado internacional, o “Manel” e eu apostámos forte neste salto até ao “Europeu” de GT.
De facto, depois de sermos vice-campeões espanhóis e vencedores da taça ibérica no passado ano, muitas foram as questões que se levantaram quanto ao nosso projecto futuro.
E, se ficou um ligeiro amargo de boca, por termos tido o título máximo quase que “roubado” das nossas mãos (ver história do campeonato em http://www.pnc.pt/ secção news), a verdade é que somente tivemos sempre nas nossas mentes rumar à versão europeia organizada pelo ex-piloto espanhol Jesus Pareja.
Quando assinámos pela Scuderia Playteam Ferrari, sabíamos que desde logo teríamos a obrigação de lutar por um lugar de relevo, mas, quando olhamos para as listas anuais dos intervenientes neste campeonato facilmente nos apercebemos que: Lutar pelos lugares da frente é tentar um lugar entre os 5 primeiros.
O GT European Open está no momento com uma das mais extensas listas de participantes, trazendo também, com isto, muito bons pilotos e equipas a lutar pelo “topo da classificação”.
Um dos pontos que sabíamos ser vital para atingir os nossos objectivos seria o da “consistência” de resultados. Num campeonato onde as 16 provas contam integralmente para a classificação final, qualquer pequeno deslize pode ser avassalador.
Foi com essa atitude que abordámos a primeira prova.
Vallelunga era para nós uma verdadeira prova de fogo, não só por ser a “Casa” de muito dos pilotos italianos que disputam o campeonato, mas também porque era um dos poucos circuitos onde nunca havíamos rodado com o Ferrari F430.
Como poderão compreender, começar com um segundo lugar na prova de estreia e logo naquela que se nos afigurava mais difícil, fez com que os nossos olhos se abrissem desde logo para outros horizontes.
Sem nunca tirar os “pés da terra” e trabalhando muito com a equipa e com os técnicos da Ferrari fomos construindo uma grande solidez a nível de andamento e pontuações, algo que viria a ser fulcral na parte decisiva da temporada.
Na Catedral da Ferrari, o circuito de Monza, e quando somente faltavam 2 provas para o encerramento do campeonato, posicionámo-nos como um dos grandes “Title Contenders”.
Após uma série fantástica de Podiuns (Vallelunga, Valência, Spa, Estoril, Valência Street), o segundo lugar alcançado em Itália fez com que o campeonato chegasse a Barcelona para o último fim de semana com 3 equipas a lutar pelo título:
O Porsche Oficial de Richard Lietz / Gianluca Roda e os dois Ferrari privados da Scuderia Playteam (o nosso e o de Montermini/Maceratesi).
Uma vez que o título por equipas já o havíamos garantido para a PlayTeam, sabíamos que tínhamos carta branca para jogar todos os trunfos em Barcelona, tendo somente em mente que o “ceptro” deveria ficar para a Scuderia de Milão.
De facto, a Porsche jogou muito forte nas últimas provas da temporada e, tendo já saído derrotada em todos os outros campeonatos internacionais de relevo, o European Open ficava como a última possibilidade de alcançar um título em 2008.
Não seria de estranhar que a marca alemã conjugasse esforços num carro, algo que connosco era mais complicado pois tínhamos “dois galos” para aquele poleiro.
As duas provas a disputar em Barcelona eram, assim, o “Campeonato”! E foram!
Para nós ficou tudo apagado na corrida de sábado, ao sermos abalroados logo na largada.
Com condições climatéricas terríveis as qualificações tinham condicionado muito a nossa posição para essa primeira prova e, por conseguinte, foi com alguma tristeza que partimos para Domingo já com o simples objectivo de… apenas… poder lutar pela vitória na prova.
E foi isso que fizemos…
Liderámos quase sempre a corrida disputada sob chuva intensa e alcançámos uma vantagem de mais de 15 segundos para o segundo classificado.
O campeonato estava perdido para nós e, parecia também perdido para o nosso colega de equipa, pois o Porsche estava num lugar pontuável o suficiente para ganhar o título.
Foi aí que, num verdadeiro golpe de equipa, invertemos a posição.
A duas curvas do final da corrida, já com aviso rádio da box, levantei o “pé” e troquei de posição com Montermini para que a diferença pontual lhe permitisse ser campeão.
Foi duro termos de ceder uma vitória tão importante, mas os valores da equipa falaram mais alto e, no final, é para isso que nós estamos lá…
No final, acreditem, que este 2º lugar soube mais do que mil vitórias, pois possibilitou à Ferrari um título que parecia quase ter “fugido”!
Terminar uma grande época desta forma deixa-nos muito motivados para 2009.
O “Manel” e eu estamos já a preparar 2009 e 2010 e a nossa grande vontade será a de continuar ligados ao “Cavallino”.
Tudo faremos, para trazer ainda melhores resultados.

Abraço,

Pedro Couceiro

A corrida de Barcelona foi disputada debaixo de condições meteorológicas difíceis.
Na mesma prova, o Ferrari nº4 no comando das operações
 
 Troca de pilotos entre Pedro Couceiro e Manuel Gião.
No final da corrida, os festejos na Scuderia Playteam Ferrari

Todas as fotos publicadas neste artigo são propriedade da PNC , Produções Desportivas